segunda-feira, 22 de junho de 2009

Ingredientes não bastam


Eu não sei você, mas até que eu gosto de cozinhar. Não que eu seja uma exímia cheff, até porque uma pessoa que cozinha verdadeiramente bem, não precisa seguir receita alguma. Sabe quais ingredientes combinam, como deve ocorrer uma reação entre eles, a quantidade correta e, mesmo antes de pronto, já sabe qual será o sabor. Eu não. Eu preciso da receita, das medidas, do tempo exato de cozimento etc.

Quando uma pessoa que não cozinha tão bem, inventa fazer de conta que sabe, vai para a cozinha, junta na bancada ótimos ingredientes e começa a preparar um prato, só há duas possibilidades: ou dá certo ou não dá. Ou o prato fica saboroso ou não fica. Simples assim!

Nós, as pessoas que apenas nos viramos na cozinha, não temos dúvida de que se pegarmos ótimos ingredientes, usarmos um pouquinho de bom senso gastronômico e juntá-los, o resultado será algo apetitoso. Afinal, como ótimos ingredientes, juntos, não darão uma ótima receita?Bom, nem sempre dá. Para algumas pessoas isso acontece na maioria das vezes, para outras apenas algumas vezes. Que seja!O fato é que ao menos uma vez, você, que assim como eu não cozinha tão bem, vai pegar os ingredientes perfeitos, mas não terá uma boa receita no final das contas.

E sabe por que isso acontece? Porque consideramos apenas os ingredientes! Nos esquecemos de como deveríamos misturá-los, do tempo de cozimento, das medidas. Esquecemos que ter os mais dos maravilhosos ingredientes, por mais saborosos que sejam, não basta. Não basta.

O mais irônico de tudo isso é que eu não tive esse aprendizado depois de um dia de fracassos culinários. E sim do término de um relacionamento. Anos vividos com muito companheirismo, amizade, confiança, admiração, paciência, carinho, atenção, gostos em comum, atenção, confidências, alegria, amor.

Bom...mas assim como existem vários tipos de um mesmo alimento, de um mesmo condimento, há vários tipos de amor. Confesso que pelo fato de eu ter pouco mais que duas décadas de vida, não conheço muitos tipos ainda, porém os que eu senti e os que foram sentidos por mim foram suficientes para que eu chegasse onde estou hoje. Exatamente agora.

O que um outro alguém já sentiu por mim foi o amor da amizade, do companheirismo, do prazer da companhia, da admiração, mas não o amor do amor. E mesmo todos os outros amores sendo sentidos...não bastou. Não deveria mesmo bastar.

- Se tínhamos ótimos ingredientes antes...
- Imagine agora!

Eu e ele apostamos tudo. Eu e ele fizemos uso de cada ingrediente que tínhamos. E adivinhem? A preparação foi perfeita, o cozimento correto, mas na hora de sair do forno, descomplicadamente falando, não deu certo.

Não. Não falarei sobre o amor que não foi alcançado, o que não foi correspondido, o amor que foi dado, o que foi deixado. Falarei apenas do “pós-todos-esses-amores”.

É claro que quando destampamos a panela ou abrimos o forno e vemos – ou depois de experimentar, sentimos – que a receita não deu certo, o que vem de encontro a nós é a frustração, uma vez que gastamos tempo e ingredientes em algo que não teve o resultado esperado.

E é assim também no fim de uma relação. A primeira impressão é de que perdemos tempo apostando, gastando e desgastando sentimentos. Porém, quando você limpa a bagunça que ficou e, o mais importante, aceita que a receita não funcionou, você percebe que não tem tanta importância assim. Afinal, foram só alguns ingredientes, foi apenas algum tempo.

Obviamente, eu não sou insensível a ponto de achar que no fim de um relacionamento há a capacidade de notar tudo isso claramente. Até porque se assim fosse, as pessoas não sofreriam ao término de uma relação! Mas o que não posso negar é que a percepção disso é ridiculamente simples! O que, por sua vez, não significa que só por ser simples seja fácil. E é aqui que sofremos. Não é nada fácil.

Sabe, você pode sentir falta, querer o que antes não fazia tanta falta assim, ficar ansioso por momentos que não vão chegar, balbuciar, para você mesmo, palavras que jamais serão ditas, buscar por algo que não pode mais ser buscado. Acontece que – mesmo você não sendo uma pessoa otimista – é preciso ver o lado positivo das coisas. E se você acha que nada disso tem um lado bom, invente! Simples assim!

Tudo o que acontece ao nosso redor tem uma justificativa, um por quê. Não é sempre atrás das resoluções dos por quês que a própria ciência está todo o tempo? Por que o céu é azul? Por que a Terra gira e o Sol fica parado? Por que o câncer mata? Por que devemos reciclar? Por que temos que economizar água?
E é do mesmo jeito na nossa vida. Na nossa “bolha”. Mas assim como a ciência também não descobre muitas coisas, talvez nunca venhamos a compreender o por quê de certas coisas acontecerem nas nossas vidas. Mas tudo bem! Se preocupe com os por quês que ainda vão surgir! Vá atrás deles! Pois não importa quantos por quês sem resolução você teve na vida, mas sim quantas vezes arriscou achar a resposta!

E não considere que o tempo que você viveu tenha sido tempo gasto, tempo perdido. Foi apenas tempo vivido, apenas isto! Tempo vivido em meio a dificuldades, tristezas, alegrias, perdas, amores, acertos, equívocos. Mas tempo vivido; vivido por você e o qual fez de você exatamente o que você é hoje. O que você é agora!

A última coisa, se lembra daquelas pessoas que falei no comecinho?Aquelas que sabem cozinhas maravilhosamente bem? Pois então, como você acha que elas aprenderam?

Nenhum comentário:

Postar um comentário