segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Desde novembro até o Natal

Infelizmente, não sou uma pessoa muito disciplinada, pelo menos não mais. Acredito que seja justamente por ter sido muito ordenada, previsível e pouco "leve", que hoje opto por não fazer as coisas numa rotina. Assim, escrever entra nessa categoria.

Durante este último mês tantas coisas aconteceram e tantas tornaram-se textos perfeitamente estruturados na minha mente, mas os quais simplesmente escolhi não compartilhar; o escrever tem disso: se você quer que aquela ideia e concepção sejam só suas, não escreva-os e assim, sem torná-los escrita, acabam por permanecer apenas como devaneios e pensamentos dessa incansável "cachola borbulhante".

Hoje, diferentemente, compartilho, escrevo e exponho.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Maré boa é maré cheia

Coisas incrivelmente boas têm acontecido; têm enchido o meu dia e dado um toque especial aos meus motivos de agradecimento.
Sei que o fim do ano propriamente dito não chegou, então, de acordo com a tradição não caberia aqui uma retrospectiva de 2010. Mas é fato que já tenho olhado pra esse ano e é inevitável não contar e cantar o que Deus tem me proporcionado.
Um chamado confirmado, viagem missionária, projeto evangelístico da minha igreja, amigos amissíssimos, família...
Tenho tido cada vez mais notícias boas numa maré de coisas boas. E, por isso, não há como negar: maré boa é maré cheia.
Cheia de confirmações, de dúvidas esclarecidas e outras nem tanto. Maré cheia de amor, de conquistas, de surpresas (imensamente agradáveis!), de amizades, de conflitos resolvidos, mas também de problemas não solucionados. Maré boa porque há risos, há gargalhadas, há crescimento, há expectivas, há esperança, há fé, há certezas e há futuro.
...
Eita maré boa! Que traz lua cheia e céu limpo, brilhante, incandescente. Que aumenta as águas e a força das ondas. Que embeleza, que emoldura, que inunda.
Eita maré cheia! Que demonstra fartura, firmeza. Que assusta, mas exalta. Que banha, molha, vivifica e transforma.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

A ponte abaixo e o céu acima


A cada dia noto mais a juventude que há em mim. E a cada dia mais percebo o quanto gosto disso.
Atos inpensados, porém inteligentes, momentos inesperados e surpreendentes, sorrisos, risos, gargalhadas, vivacidade, disposição, bobeiras.
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E quer coisa mais jovem do que dirigir de madrugada, parar o carro no meio de uma ponte, deixá-lo com o pisca alerta ligado e a chave no contato, e tirar fotos?
Fotos da ponte, do céu, dos amigos, de si, dos carros...
Senti o vento no rosto; coisa simples que adoro sentir. Vi as imagens da cidade e muito mais do que fotografá-las com a câmera, registrei-as com os olhos.
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A sensação de parar o carro, subir no meio fio alto, tirar fotos, sentir o vento soprar, ver o cabelo sair do lugar, passar frio, mas não querer sair dali, voltar correndo com medo de ser pega; tudo isso é jovem, é expressivo, é excitante. Me deixa feliz e faz brotar um sorriso largo, constante.
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Amo ser jovem, ser expansiva, ser feliz, intensa e excessiva. Amei ver a ponte abaixo e o céu acima.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Amar é ato

No trabalho tenho tido a oportunidade de ouvir diferentes profissionais discorrerem sobre suas especialidades e na última terça, ouvi um filósofo.
Eu, particularmente, nego muitas coisas que a Filosofia ou o ato de filisofar propõem, mas como eu tinha que estar ali, tentei traduzir o que era falado para minha realidade. Realidade minha que, obviamente, é composta por minhas crenças, certezas e esperanças.
"Nós devemos ensinar o que é ato. Se ensinamos aquilo que não é uma ação pra nós, o que ensinamos é só conteúdo". A partir disso, o máximo que fiz foi anotar a fala, aguentar o discurso acabar, pegar meu carro e compartilhar isso com um amigo que ia de carona comigo para a próxima reunião da noite. Mas, enquanto eu comentava também expus como traduzi aquele pensamento: ora, se falo que sou cristã, tenho que ser cristã. E pronto! Mas, é engraçado como um assunto dado por encerrado rende.
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Depois do expediente e pós-expediente terem acabado, foi numa conversa informal que linkei o mesmo assunto de novo.
Falávamos sobre a falta de amor, sobre seus reflexos e consequências. Falamos sobre o fato de que amor é muito mais que sentimento, é atitude. Amar é ato. E por que é mesmo que as pessoas insistem em ouvir ao invés de acreditarem nas atitudes?
Sem chegar a uma resposta melhor que "o ser humano é complexo e contraditório", passamos para o assunto fome na madrugada. Mas, é engraçado como um assunto dado por encerrado rende.
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Você já teve a impressão que um determinado alguém leu sua mente, porque esse alguém te respondeu exatamente aquilo que você estava pensando?Então, com Deus é assim!Me explico.
Na manhã seguinte, fui fazer minha devocional diária e orei por aquelas questões: amor, atitude, viver de verdade, agir, pregar, e o texto que li me falou "Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade" (1 Jo 3:18).
Viu como rendeu?
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Deus fala através da simplicidade, através das coisas diárias, corriqueiras. Quem diria que a fala de um cara que, a princípio, foi totalmente desconsiderada por mim, resultaria num aprendizado tão especial e profundo?É que Deus usa dessas coisas que parecem ser "inusáveis" (e que petulância a minha!) para se revelar, para ensinar. E isso porque Deus ama agindo, fazendo, atuando, surpreendendo.
Você diz que ama?Ame de fato. Você diz que se importa? Importe-se de verdade. Você diz que cuida? Cuide pra valer.
Amar é ato. É ato constante, ininterrupto e incondicional.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Cantarolando...

Essa última semana em particular foi uma semana com muita cantoria e música: teve o festival de inverno, onde várias pessoas soltaram a voz, e teve a noite de salsa que rendeu o chacoalhar dos esqueletos ao som de muita música latina. Além disso, escutei músicas novas e até conheci uma cantora cabo verdeana (não sei se se escreve tudo junto!). O fato é que tenho cantarolado. E sobre isso recebi o seguinte comentário: "Tem alguém que está bem feliz". "Na verdade tem alguém que É bem feliz!", respondi.
E é engraçado como umas coisas que parecem história da vovó são verdadeiras: "Quem canta seus males espanta". Ou seja, você canta e fica feliz, mas você também canta porque já é feliz!
De um jeito ou de outro tenho cantado, soltado a voz e cantarolado. No carro, em frente ao computador, com meus alunos, com meus amigos ou enquanto estou caminhando.
O mais bacana é que para cantarolar você não precisa saber a letra da música, nem o ritmo, nem a melodia; cantarolar é um verbo a parte.
Quem cantarola tem a liberdade de dizer o que quiser, de misturar as músicas e até de compor novas canções. Quem tem esse hábito, interpreta, ri, se diverte e se sente mais leve.
Por isso, mesmo sem aquecer a voz, sem ter um timbre bonito, sem saber música, sem conhecer a letra da canção, estando debaixo do chuveiro ou não: cantarole!!! Faça "tchururu, tchururu", fale "láláláláááá" ou sibile "pãrãrãrã", só não deixe de cantarolar!

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

A menina dos brincos de pérola

Tici era uma menina muito pequena, mas que tinha sua falta de estatura compensada no tamanho dos olhos e no comprimento dos cabelos. E mesmo sendo nova e, como já fora dito, muito pequena, adorava pérolas.
Era em dias ensolarados e cheios de calor que a menina colocava seu vestido de bolinhas rodado e seus tão amados brincos perolados. Ao sol seus cabelos refletiam a luz do dia, sua pele ganhava um bronzeado natural e seus olhos se semicerravam para olhar o céu e ver o caminhar das nuvens.
As pessoas normais viam corações e anjos desenhados em branco no céu azul. Tici via ursos falantes dançando, abelhas-rainhas usando sapatos de salto alto e uma mãe colocando uma fita no cabelo da filha.
O que os outros não sabiam é que Tici só era assim tão incrível por causa de seus brincos de pérola. Aquelas duas bolinhas, postas uma em cada orelha eram a fonte de sua criatividade, doçura, meiguice, espontaneidade e candura.
À noite, a garota colocava a camisola, escovava os dentes, se deitava, desligava o abajur e só então tirava os brincos. Na manhã seguinte, praticamente sem abrir os olhos, buscava as pérolas sobre o criado-mudo e as recolocava. E, só assim, saía da cama. Até o dia em que suas mãos tatearam o móvel ao lado, mas não encontraram os brincos.

Então, obrigada, desceu da cama, olhou para baixo dela e sob o móvel. Procurou perto da poltrona, viu cada canto e até levantou o tapete. Os brincos de pérola não estavam ali.
Como sairia do quarto? Poderia falar com as pessoas? As nunvens ainda seriam brancas e fofas?
Foi depois de pensar e repensar dezenas de vezes o mesmo pensamento que Tici percebeu que não poderia ignorá-lo: teria que sair do quarto. Afinal, só assim poderia recuperar os objetos que lhe traziam segurança. Sairia, então. E saiu.
Passou pelo corredor, bisbilhotou a cozinha, atravessou a sala, mas não havia ninguém. Não podia ver as pessoas sem usar os brincos de pérolas? Onde estavam todos? E preferindo trocar a preocupação pelo anseio de achar o que tinha perdido, pôs-se a revistar a casa, todos seus vãos e frestras.
Um segundo desespero, maior que o primeiro, tomou conta de Tici: ela não os achara. Com o desespero, um segundo turbilhão de perguntas também jorrava em sua cabeça: como viveria? As pessoas a reconheceriam? Ela seria feliz?

Foi um olhar espantado para a janela com as cortinas abertas que interrompeu seus devaneios; através da janela ela viu o céu e as nuvens. Nuvens brancas e fofas que se permitiam serem moldadas e levadas pelo vento.
Em disparada correu para o quarto, colocou seu vestido, soltou os cabelos e correndo chegou à porta de entrada. Parou. Elevou a mão para abrir a porta. Retrocedeu. E, então, fixou a mão na maçaneta e girou-a.

Mal tinha aberto a porta e o sol a encontrou. Banhou-a. Iluminou-a.
O sorriso foi tão espontâneo quanto os giros que fazia com o corpo. Era tudo como antes. Parou e olhou para o céu, e viu novos amigos: grilos de gravata tocando violino, borboletas cozinhando e uma cobra de chapéu com muitas pernas, mas que ainda assim era uma cobra e não uma lagarta.
Não eram, então, os brincos de pérolas. Era seu coração que sentia. Era seu espírito que sorria. Sua essência era alegre e seus olhos é que enxergavam e decifravam a beleza ao redor. Não os brincos. Não as pérolas.

Era Tici. Ela era.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

"Hã?!"



"Mas, você vai ser professora?". Essa foi uma das primeiras perguntas que me fizeram quando disse que faria Pedagogia.
Na realidade, quando eu era mais nova jamais queria ser professora. Eu quis ser veterinária, astrônoma, médica, cantora, mas nunca professora.
Foi depois de um vestibular através do qual não fui aprovada que passei a abrir meus olhos para outras possibilidades.
Então, comecei a ver minhas alternativas e me lembro exatamente não do que queria, mas do que eu não queria: ficar num mesmo escritório todos os dias, usar sapato social, usar terninho, ficar na frente do computador, não poder escutar música, nem cantar. Onde é que me dariam um emprego assim? E qual curso eu deveria fazer para ter esse trabalho? Foi ai que a Pedagogia surgiu.
Hoje sou, sim, professora. "Professora de Educação Infantil, muito prazer!".
No meu emprego eu não faço nada do que eu não queria; eu faço o que todos deveriam fazer.

Abraço e beijo todos os dias, e também os ganho sem exitação. Canto com acompanhamento de 18 vozes e sou considerada a melhor cantora de todos os tempos! Danço e tenho o mesmo grupo de 18 pessoinhas que seguem meu passos, tentam me imitar e não questionam meus movimentos malucos e descoordenados.
Tenho, diariamente, uma atenta platéia louca por uma história, que não tira os olhos de mim até eu declarar "Tiririm Tiririm, essa história chegou ao fim!".
No meu emprego eu chego depois de dormir até às 9:00, depois do almoço e depois que o sol já está a pino. Vou de all star, de havaianas e depois acabo descalça. Uso shorts e bermuda.
Não importa o dia, sempre recebo um sorriso, um carinho e um pedido: "Posso sentar no seu colo?". Todos os dias testemunho alguém aprender algo novo, crescer.
Como se não me bastasse, ainda tenho regalias: os feriados são emendados, tenho 60 dias de férias por ano e meus filhos (se os tivesse) estudariam de graça .
E não para por aí! Tenho mais uma data no ano para ganhar presente: 15 de outubro. Além de pagar meia no cinema igual a estudante!
Sendo professora vivo o privilégio de acompanhar e desenvolver os passos de pessoas que um dia serão alfabetizadas, dominarão nossa língua e serão agentes transformadores e ativos na sociedade.
No meu emprego tenho a satisfação, a alegria e o prazer de trabalhar com crianças e seus pais, a fim de deixar cidadãos melhores para o mundo.

"Mas, você vai ser professora?" "SIM!"

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Junk TV


Eu sou aquele tipo de pessoa que vê a caixa de entrada do email todos os dias, várias vezes ao dia. E mais! Sou aquele tipo de pessoa que fica com a página do email aberta pra quando a atualização de emails recebidos acontecer eu já esteja a menos de um clique de distância para conferir o que chegou.
Hoje, li um email que tratava sobre mensagens subjetivas - ditas subliminares - e objetivas por trás de músicas de artistas como Lady Gaga, Jay Z, Beyoncé, entre outros. Eu, particularmente, não escuto nenhuma música de nenhum desses cantores. E ainda bem! Porque o email trazia imagens bizarras de seus shows, clipes e apresentações.
Vi Lady Gaga num vestido rendado inteiro vermelho e transparente, com uma coroa igualmente vermelha na cabeça. Vi Jay Z usando uma camiseta com uma estrela e, por trás dessa imagem, uma cruz.
Havia inúmeras outras fotos que ilustravam pornografia, erotismo, ocultismo etc. E fiquei pensando nas pessoas que dizem ser fãs desses artistas. Fiquei pensando nas pessoas que não são fãs desses artistas, mas que ainda assim não escapam desse turbilhão de má exemplo e má influência.
Como pedagoga e professora de Ed. Infantil não poderia deixar de pensar no que isso significa para as crianças.
...
Não é raro, hoje em dia, vermos na TV, na internet a cover mirim de apenas 8 anos de Lady Gaga. E é aí que me pergunto: onde está a mãe dessa criança?
É engraçado como o trabalho infantil e a pedofilia, por exemplo, são condenados (e graças a Deus que o são!), mas como fica a violência moral, psicológica e emocional que essas crianças sofrem ao verem uma mulher loira, louca e semi-nua na TV?E pior ainda: com os pais no sofá ao lado?
O absurdo chegou a seu ponto máximo!Isso não é mais condenado, é incentivado: "Filho, vem assistir a novela com a mamãe!", "Filha, olha a Lady Gaga na TV!". Onde é que fomos parar?
...
Sinto pena, raiva, inconformismo e indignação diante de uma sociedade que se desenvolve de maneira tão grotesca. Diante de pais que compram revistas pornográficas para seus filhos para os tornarem "machos". Diante de mães que depilam suas filhas para torná-las misses. Isso só comprova o quanto o mundo de fato jaz no maligno.
Porém, na mesma medida que cresce meu incômodo, cresce minha esperança. Esperança de um mundo novo que virá com Aquele que nos prometeu tal coisa.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Gosta de mim

Quando
...acordo e estou de pijama velho?
...vou dormir e não penteio o cabelo?
...me maquio?
...tenho uma espinha na ponta do nariz?
...fico mal-humorada ou rio sem parar?
...falo pelo cotovelos até ao ponto de conter a respiração?
...estou com uma roupa rídicula mas "confortável"?
...uso havainas?
...fico na TPM?
...não entendo a piada e peço para contarem de novo?
...não tenho razão mas teimosamente digo que sim?
...acredito em tudo o que as pessoas contam por mais rídiculo e óbvio que possa ser?
...canto desafinada ao volante?
...falo alto e dou gargalhadas estridentes?
...estou bem arrumada e cheirosa?
...meu cabelo está liso, ondulado, marcado, solto ou preso num rabo de cavalo?
...uso óculos ou lentes de contato?
...estou com sono e saio completamente de mim?
...inicio uma conversa sobre cognitividade e infância?
...reclamo de dor mas não tomo remédio algum?
...não coloco crédito no celular por acreditar ser um desperdício de dinheiro e ligo a cobrar?
...estou doente?
...não escovo o dente?
...fico olhando sem parar para o meu espelho de bolsa?
...como compulsivamente?
...não sei organizar meus gastos e peço dinheiro emprestado no fim do mês?
...faço e refaço uma baliza mil vezes?
...estou errada?
...estou eufórica ou totalmente acabada?
...pinto a unha de um vermelho "cheguei"?
...nego querer aquilo que, sim, quero?
...tento agradar todo mundo?
...peco?
...não sou uma boa ouvinte nem boa conselheira?
...não sou uma boa companhia ou referência?
...piso na bola com as pessoas que mais amo?
...digo e escrevo bobagens?
...penso demais e não vejo as coisas ao meu redor?
...não tenho paciência nem tolerância?

Gosta de mim assim?

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Vinte e poucos anos

Meus vinte e poucos anos:
- pulo, canto, danço e pulo de novo
- erro, erro, acerto, erro, erro, acerto
- me apaixono, amo, esqueço
- sofro, choro, dou gargalhada
- viro a noite, durmo em aeroporto, não durmo, levanto e vou tirar uma soneca
- viajo de mochila, de trem, de carro, de ônibus, de avião e a pé
- passagem com seguro, sem seguro, em promoção, um dia antes, só ida
- acho lindo, uma gracinha, príncipe encantado
- é sem graça, é sapo
- ketchup, mostarda e maionese
- videokê, karaokê, sushi, mexicano e refri
- evento, shows, pista, concerto
- uso vestido, calça comprida, shorts e mini saia
- cabelo preso, cabelo solto, bonito, macio, sedoso
- cabelo desarrumado, em coque, em trança
- brinco de pérola, de argola
- uso maquiagem, não me maquio, passo gloss e não batom
- falo alto, canto dirigindo, desafino
- perco e acho a estribeira.


Você é flor

Teu nome me lembra flores; perfumadas, coloridas, cheirosas, cheias em formusa, que preguiçosamente se balançam, permitem-se serem agitadas e levadas pelo vento.
O vento. É só através dele que a multiplicação e a reprodução em larga escala acontecem. Até a mais linda, forte e resistente flor necessita de ajuda para perpetuar.
Assim também cada um de nós; assim também você.
O milagre das flores não está somente na beleza, em sua candura e perfume; o milagre é ser levada através de minúsculas partículas por um elemento invisível.
...
A tua beleza nunca foi tanta e teu ar confiante nunca foi tão sentido como são hoje. Hoje o milagre acontece. E se o vento, de fato, passar, você não se extinguirá; você será perpetuada, transformada, alcançando um lugar inigualável.
Nenhum jardim suspenso ou submerso, com lírios ou orquídeas, em estufa ou ao ar livre, é tão lindo, perfeito e grandioso como será aquele do qual você fará parte.
Você é bela. Você é flor que já renasceu.
(Em memória de Cely - 10/2009)

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Mundo insuficiente de pessoas insatisfeitas


A teoria de Freud sobre o desenvolvimento humano foi estudada por mim na faculdade acerca de dois anos atrás numa aula de psicologia da educação, e a partir disso vi um pouco a respeito da psicanálise, suas teorias, frentes de debate e principais alicerces. Porém, foi sobre sonhos que ouvi recentemente: seu significado, seus possíveis sentidos e função.
Os sonhos seriam válvulas de escape extremamente importantes para a sanidade, já que é no mundo dos sonhos que nos permitimos. A realização de nossos desejos inadequados para a vida real aconteceria nesse momento, então, que o inconsciente entra em ação.
Os psicanalistas acreditam que o sujeito não é sinônimo de indivíduo, ou seja, uma pessoa é composta por várias “personalidades” e não é “uma coisa só” como a palavra indivíduo sugere. Assim, quando você tem um sonho ruim, assustador, ele nada mais é que um desejo de um desses “eus”, que acabou se traduzindo através de um pesadelo. Mas não é nada disso que me prende a atenção ou leva-me a refletir sobre alguns pontos psicanalíticos.
O palestrante colocou em sua fala que “não há nada mais ridículo do que viver em busca da felicidade” e ainda “não há nada que exista que seja só amor”. É por isso que a psicanálise também aponta o sujeito como um ser eterna e completamente insatisfeito, cheio de conflitos e que nunca será plenamente feliz.
São tantas questões e assuntos subjetivos por traz dessas frases, mas limito-me a pensar no que isso pode significar para nossa sociedade.
Pessoas depressivas, maníacas, bipolares, fóbicas, psicopatas são o objeto de análise, estudo e cuidado de psicanalistas, psicólogos e psicoterapeutas por todo o mundo. Além disso, são esses mesmos profissionais que influenciam também milhares de pessoas sem patologias psíquicas através da Academia e mídia, por exemplo.
Ou seja, tais influências conseguem se mostrar a diversas pessoas em diferentes âmbitos sociais, apresentando um mundo eternamente insuficiente para pessoas eternamente insatisfeitas. Tais influências apresentam a impossibilidade de esperança, de sonhos, de planos; a impossibilidade de se ter um ponto de chegada.
“E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição. E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade.” Isto é o que a Bíblia diz (2Pe 2: 1-2) sobre tais alicerces sociais e pessoas que adotam tais reflexões, comprometendo os seres humanos a viverem numa situação de fraqueza, impotência e desmotivação.
Assim, diferentemente do que a própria psicanálise e a ciência (num âmbito mais generalizado) pensam, suas doutrinas, leis e hipóteses vão de encontro ao racional, ao lógico.
Se o que falta no mundo é esperança, como declarar que a busca pela felicidade é inválida? Se é o amor nas pessoas que não tem mais suas chamas acesas, como não procurar isso num Ser que seja, sim, completo dele?
Prendo-me, portanto, ao fato de que essas bases sobre as quais a sociedade ocidental cresceu estão cheias de equívocos e preciptações, uma vez que o vazio dentro de cada ser humano que a própria psicanálise prega, só pode sugerir que há algo Existente, Único e Real.

"Prazer!Esperança, caminho e vida"




Estava quente e depois da grande escadaria que dava acesso à comunidade, ele foi a primeira coisa que vi, que observei. Estava com uma camisa xadrez mais desabotoada do que fechada, que tinha tons de azul com branco, mas poderia ser quaisquer outras cores, já que ele e suas vestes estavam extremamente sujos. Usava também uma calça social marrom velha que lhe era curta e um boné tortamente acomodado.
Com os olhos miúdos, porém atentos mirou-me e daqueles lábios que já não escondiam mais dentes, saiu a voz que até hoje, se fechar os olhos e me concentrar, consigo ouvir.
Mas não foi naquele instante de começo de dia que pude conhecê-lo de fato, que pude saber mais sobre sua história. Isso só veio a acontecer depois de todo um dia e depois de uma caminhada por uma trilha cheia de tocos de árvores e não iluminada.
Após vencermos sua deficiência auditiva com socos na porta e gritos audíveis a metros de distância, ele acordou e veio nos receber.
A doutora teria que colocar seu dedo no lugar, e eu ficaria encarregada de engrenar uma conversa animada com o intuito de distraí-lo. Distrair ele que tinha nada mais que 95 anos e uma surdez praticamente completa causada por um raio que veio de encontro ao barco onde trabalhava.
Passando do simples cardápio de seu almoço para a beleza de sua comunidade, consegui tirar sua atenção do procedimento que a doutora estava realizando. Mas a minha voz já não era tão clara e nítida como no início. Ela embargava. E para meu controle emocional passar a ser descontrole não demorou muito; seu Manuel não chorou com a dor que sentiu. Eu chorei.
Era necessário fazer algo, era necessário ajudá-lo, dar-lhe o que não tinha. Mas muito mais que uma garrafa de café quente, companhia, higiene, roupas novas e limpas, era esperança que lhe faltava. Em mãos eu não tinha nada mais que uma lanterna. Poderia eu, então, fazer algo? Felizmente, sim.
Dei-lhe o que mais tinha de valioso comigo; dei-lhe uma Semente, uma Palavra. Apresentei-lhe a Esperança, mesmo ele já não tendo sonhos. Apresentei-lhe a Vida, mesmo ele já tendo quase um século de vida. Apresentei-lhe o Caminho, mesmo ele não conseguindo andar com desenvoltura. Apresentei-lhe Cristo.
Foi abraçando-o, beijando várias vezes sua face enrugada e áspera e dizendo que eu não voltaria no dia seguinte, que me despedi. E sua dor anterior passou novamente pelos meus olhos e foi assim que retornei: através de passos confusos e mal iluminados, tropeçando pela trilha.