quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Amar é ato

No trabalho tenho tido a oportunidade de ouvir diferentes profissionais discorrerem sobre suas especialidades e na última terça, ouvi um filósofo.
Eu, particularmente, nego muitas coisas que a Filosofia ou o ato de filisofar propõem, mas como eu tinha que estar ali, tentei traduzir o que era falado para minha realidade. Realidade minha que, obviamente, é composta por minhas crenças, certezas e esperanças.
"Nós devemos ensinar o que é ato. Se ensinamos aquilo que não é uma ação pra nós, o que ensinamos é só conteúdo". A partir disso, o máximo que fiz foi anotar a fala, aguentar o discurso acabar, pegar meu carro e compartilhar isso com um amigo que ia de carona comigo para a próxima reunião da noite. Mas, enquanto eu comentava também expus como traduzi aquele pensamento: ora, se falo que sou cristã, tenho que ser cristã. E pronto! Mas, é engraçado como um assunto dado por encerrado rende.
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Depois do expediente e pós-expediente terem acabado, foi numa conversa informal que linkei o mesmo assunto de novo.
Falávamos sobre a falta de amor, sobre seus reflexos e consequências. Falamos sobre o fato de que amor é muito mais que sentimento, é atitude. Amar é ato. E por que é mesmo que as pessoas insistem em ouvir ao invés de acreditarem nas atitudes?
Sem chegar a uma resposta melhor que "o ser humano é complexo e contraditório", passamos para o assunto fome na madrugada. Mas, é engraçado como um assunto dado por encerrado rende.
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Você já teve a impressão que um determinado alguém leu sua mente, porque esse alguém te respondeu exatamente aquilo que você estava pensando?Então, com Deus é assim!Me explico.
Na manhã seguinte, fui fazer minha devocional diária e orei por aquelas questões: amor, atitude, viver de verdade, agir, pregar, e o texto que li me falou "Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade" (1 Jo 3:18).
Viu como rendeu?
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Deus fala através da simplicidade, através das coisas diárias, corriqueiras. Quem diria que a fala de um cara que, a princípio, foi totalmente desconsiderada por mim, resultaria num aprendizado tão especial e profundo?É que Deus usa dessas coisas que parecem ser "inusáveis" (e que petulância a minha!) para se revelar, para ensinar. E isso porque Deus ama agindo, fazendo, atuando, surpreendendo.
Você diz que ama?Ame de fato. Você diz que se importa? Importe-se de verdade. Você diz que cuida? Cuide pra valer.
Amar é ato. É ato constante, ininterrupto e incondicional.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Cantarolando...

Essa última semana em particular foi uma semana com muita cantoria e música: teve o festival de inverno, onde várias pessoas soltaram a voz, e teve a noite de salsa que rendeu o chacoalhar dos esqueletos ao som de muita música latina. Além disso, escutei músicas novas e até conheci uma cantora cabo verdeana (não sei se se escreve tudo junto!). O fato é que tenho cantarolado. E sobre isso recebi o seguinte comentário: "Tem alguém que está bem feliz". "Na verdade tem alguém que É bem feliz!", respondi.
E é engraçado como umas coisas que parecem história da vovó são verdadeiras: "Quem canta seus males espanta". Ou seja, você canta e fica feliz, mas você também canta porque já é feliz!
De um jeito ou de outro tenho cantado, soltado a voz e cantarolado. No carro, em frente ao computador, com meus alunos, com meus amigos ou enquanto estou caminhando.
O mais bacana é que para cantarolar você não precisa saber a letra da música, nem o ritmo, nem a melodia; cantarolar é um verbo a parte.
Quem cantarola tem a liberdade de dizer o que quiser, de misturar as músicas e até de compor novas canções. Quem tem esse hábito, interpreta, ri, se diverte e se sente mais leve.
Por isso, mesmo sem aquecer a voz, sem ter um timbre bonito, sem saber música, sem conhecer a letra da canção, estando debaixo do chuveiro ou não: cantarole!!! Faça "tchururu, tchururu", fale "láláláláááá" ou sibile "pãrãrãrã", só não deixe de cantarolar!

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

A menina dos brincos de pérola

Tici era uma menina muito pequena, mas que tinha sua falta de estatura compensada no tamanho dos olhos e no comprimento dos cabelos. E mesmo sendo nova e, como já fora dito, muito pequena, adorava pérolas.
Era em dias ensolarados e cheios de calor que a menina colocava seu vestido de bolinhas rodado e seus tão amados brincos perolados. Ao sol seus cabelos refletiam a luz do dia, sua pele ganhava um bronzeado natural e seus olhos se semicerravam para olhar o céu e ver o caminhar das nuvens.
As pessoas normais viam corações e anjos desenhados em branco no céu azul. Tici via ursos falantes dançando, abelhas-rainhas usando sapatos de salto alto e uma mãe colocando uma fita no cabelo da filha.
O que os outros não sabiam é que Tici só era assim tão incrível por causa de seus brincos de pérola. Aquelas duas bolinhas, postas uma em cada orelha eram a fonte de sua criatividade, doçura, meiguice, espontaneidade e candura.
À noite, a garota colocava a camisola, escovava os dentes, se deitava, desligava o abajur e só então tirava os brincos. Na manhã seguinte, praticamente sem abrir os olhos, buscava as pérolas sobre o criado-mudo e as recolocava. E, só assim, saía da cama. Até o dia em que suas mãos tatearam o móvel ao lado, mas não encontraram os brincos.

Então, obrigada, desceu da cama, olhou para baixo dela e sob o móvel. Procurou perto da poltrona, viu cada canto e até levantou o tapete. Os brincos de pérola não estavam ali.
Como sairia do quarto? Poderia falar com as pessoas? As nunvens ainda seriam brancas e fofas?
Foi depois de pensar e repensar dezenas de vezes o mesmo pensamento que Tici percebeu que não poderia ignorá-lo: teria que sair do quarto. Afinal, só assim poderia recuperar os objetos que lhe traziam segurança. Sairia, então. E saiu.
Passou pelo corredor, bisbilhotou a cozinha, atravessou a sala, mas não havia ninguém. Não podia ver as pessoas sem usar os brincos de pérolas? Onde estavam todos? E preferindo trocar a preocupação pelo anseio de achar o que tinha perdido, pôs-se a revistar a casa, todos seus vãos e frestras.
Um segundo desespero, maior que o primeiro, tomou conta de Tici: ela não os achara. Com o desespero, um segundo turbilhão de perguntas também jorrava em sua cabeça: como viveria? As pessoas a reconheceriam? Ela seria feliz?

Foi um olhar espantado para a janela com as cortinas abertas que interrompeu seus devaneios; através da janela ela viu o céu e as nuvens. Nuvens brancas e fofas que se permitiam serem moldadas e levadas pelo vento.
Em disparada correu para o quarto, colocou seu vestido, soltou os cabelos e correndo chegou à porta de entrada. Parou. Elevou a mão para abrir a porta. Retrocedeu. E, então, fixou a mão na maçaneta e girou-a.

Mal tinha aberto a porta e o sol a encontrou. Banhou-a. Iluminou-a.
O sorriso foi tão espontâneo quanto os giros que fazia com o corpo. Era tudo como antes. Parou e olhou para o céu, e viu novos amigos: grilos de gravata tocando violino, borboletas cozinhando e uma cobra de chapéu com muitas pernas, mas que ainda assim era uma cobra e não uma lagarta.
Não eram, então, os brincos de pérolas. Era seu coração que sentia. Era seu espírito que sorria. Sua essência era alegre e seus olhos é que enxergavam e decifravam a beleza ao redor. Não os brincos. Não as pérolas.

Era Tici. Ela era.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

"Hã?!"



"Mas, você vai ser professora?". Essa foi uma das primeiras perguntas que me fizeram quando disse que faria Pedagogia.
Na realidade, quando eu era mais nova jamais queria ser professora. Eu quis ser veterinária, astrônoma, médica, cantora, mas nunca professora.
Foi depois de um vestibular através do qual não fui aprovada que passei a abrir meus olhos para outras possibilidades.
Então, comecei a ver minhas alternativas e me lembro exatamente não do que queria, mas do que eu não queria: ficar num mesmo escritório todos os dias, usar sapato social, usar terninho, ficar na frente do computador, não poder escutar música, nem cantar. Onde é que me dariam um emprego assim? E qual curso eu deveria fazer para ter esse trabalho? Foi ai que a Pedagogia surgiu.
Hoje sou, sim, professora. "Professora de Educação Infantil, muito prazer!".
No meu emprego eu não faço nada do que eu não queria; eu faço o que todos deveriam fazer.

Abraço e beijo todos os dias, e também os ganho sem exitação. Canto com acompanhamento de 18 vozes e sou considerada a melhor cantora de todos os tempos! Danço e tenho o mesmo grupo de 18 pessoinhas que seguem meu passos, tentam me imitar e não questionam meus movimentos malucos e descoordenados.
Tenho, diariamente, uma atenta platéia louca por uma história, que não tira os olhos de mim até eu declarar "Tiririm Tiririm, essa história chegou ao fim!".
No meu emprego eu chego depois de dormir até às 9:00, depois do almoço e depois que o sol já está a pino. Vou de all star, de havaianas e depois acabo descalça. Uso shorts e bermuda.
Não importa o dia, sempre recebo um sorriso, um carinho e um pedido: "Posso sentar no seu colo?". Todos os dias testemunho alguém aprender algo novo, crescer.
Como se não me bastasse, ainda tenho regalias: os feriados são emendados, tenho 60 dias de férias por ano e meus filhos (se os tivesse) estudariam de graça .
E não para por aí! Tenho mais uma data no ano para ganhar presente: 15 de outubro. Além de pagar meia no cinema igual a estudante!
Sendo professora vivo o privilégio de acompanhar e desenvolver os passos de pessoas que um dia serão alfabetizadas, dominarão nossa língua e serão agentes transformadores e ativos na sociedade.
No meu emprego tenho a satisfação, a alegria e o prazer de trabalhar com crianças e seus pais, a fim de deixar cidadãos melhores para o mundo.

"Mas, você vai ser professora?" "SIM!"

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Junk TV


Eu sou aquele tipo de pessoa que vê a caixa de entrada do email todos os dias, várias vezes ao dia. E mais! Sou aquele tipo de pessoa que fica com a página do email aberta pra quando a atualização de emails recebidos acontecer eu já esteja a menos de um clique de distância para conferir o que chegou.
Hoje, li um email que tratava sobre mensagens subjetivas - ditas subliminares - e objetivas por trás de músicas de artistas como Lady Gaga, Jay Z, Beyoncé, entre outros. Eu, particularmente, não escuto nenhuma música de nenhum desses cantores. E ainda bem! Porque o email trazia imagens bizarras de seus shows, clipes e apresentações.
Vi Lady Gaga num vestido rendado inteiro vermelho e transparente, com uma coroa igualmente vermelha na cabeça. Vi Jay Z usando uma camiseta com uma estrela e, por trás dessa imagem, uma cruz.
Havia inúmeras outras fotos que ilustravam pornografia, erotismo, ocultismo etc. E fiquei pensando nas pessoas que dizem ser fãs desses artistas. Fiquei pensando nas pessoas que não são fãs desses artistas, mas que ainda assim não escapam desse turbilhão de má exemplo e má influência.
Como pedagoga e professora de Ed. Infantil não poderia deixar de pensar no que isso significa para as crianças.
...
Não é raro, hoje em dia, vermos na TV, na internet a cover mirim de apenas 8 anos de Lady Gaga. E é aí que me pergunto: onde está a mãe dessa criança?
É engraçado como o trabalho infantil e a pedofilia, por exemplo, são condenados (e graças a Deus que o são!), mas como fica a violência moral, psicológica e emocional que essas crianças sofrem ao verem uma mulher loira, louca e semi-nua na TV?E pior ainda: com os pais no sofá ao lado?
O absurdo chegou a seu ponto máximo!Isso não é mais condenado, é incentivado: "Filho, vem assistir a novela com a mamãe!", "Filha, olha a Lady Gaga na TV!". Onde é que fomos parar?
...
Sinto pena, raiva, inconformismo e indignação diante de uma sociedade que se desenvolve de maneira tão grotesca. Diante de pais que compram revistas pornográficas para seus filhos para os tornarem "machos". Diante de mães que depilam suas filhas para torná-las misses. Isso só comprova o quanto o mundo de fato jaz no maligno.
Porém, na mesma medida que cresce meu incômodo, cresce minha esperança. Esperança de um mundo novo que virá com Aquele que nos prometeu tal coisa.