quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Eu não sou especial

Depois de retomar o trabalho e ver as férias acabarem, minhas costas sentiram o peso de carregar meus alunos no colo para matar a saudade, dando-lhes beijos e abraços. Foi voltando do trabalho que minhas costas começaram a latejar e a lombar a arder, fazendo com que eu reclamasse de cada pisada na embreagem para engatar a marcha. Mas foi essa dor que me me fez pensar no quanto eu me acho especial.

Vivo reclamando e murmurando de coisas, pessoas, sentimentos, frustrações, desejos, decepções, datas etc, acreditando realmente que é uma injustiça toda uma lista de situações desagradáveis só acontece comigo, afinal eu sou muito especial.

- pegar conjutivite
- perder um parente ou amigo
- acabar o papel higiênico
- passar a noite no hospital
- perder dinheiro
- levar um fora
- tomar uma multa
- cair na rua
- conhecer um cara que não vale o pão do pão com ovo
- se arrepender de beber demais
- fazer dívidas
- perder o emprego
- bater o carro
- pegar uma virose ou resfriado
- perder o voo
- ser assaltada
- ser traída
- sentir-me usada
- ser enganada
- passar uma sexta-feira à noite sozinha
- sujar a roupa em público
- pegar um trânsito catastrófico
- não ter horário na manicure
- arranharem teu carro
- não ser convidada
- não ser correspondida


Esta lista de coisas que "fazem parte do que sou agora", está gritando: "você não é tão especial".
Mas por que cargas d'água eu achei em algum momento que estas coisas não aconteceriam comigo? Mais! Por que raios eu achei que estas coisas não deveriam acontecer comigo?




Uma decepção e uma constatação atrás da outra, revezando entre si: eu não sou especial. As "coisas que só acontecem comigo" são coletivas e, ouso dizer, universais. O "só acontece comigo, ninguém merece" acontece com você também comprovando que pelo menos eu e você...merecemos!

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

A Dança

Era uma manhã que tinha tudo para ser fria e me recordo que sai de casa bem agasalhada. Mas à medida que ia me aproximando da rua, para ir à vaga onde meu carro estava estacionado, o sol começava a me banhar com aqueles raios tímidos de inverno e a me aquecer.

Quando me sentei ao volante, já tirei minha echarpe e abri um pouquinho o vidro. Aquele dia, então, seria mais quente do que eu esperava. Ainda bem!

Aquela terça-feira, começou de fato, com um belo café da manhã na companhia de uma amiga que amo servido em sua casa. Passamos horas conversando sobre tudo e nada, almoçamos e a hora de ir para o trabalho já era chegada.

Agora era o meio do dia e o sol perseverava em aquecer e trazer conforto. Foi dirigindo pela via expressa da cidade, agradecendo pelo sol que fazia, que um novo personagem surgiu: o vento. Aquele do qual gosto tanto: forte e que vem de encontro ao rosto! O mais curioso é que até ele estava quente. Era um soprar delicado, gostoso, aquecido, e quanto mais rápido eu dirigia, mais decididamente ele entrava pelas janelas do carro e mexia com meus cabelos.

Mas a cena que estava sendo composta lá fora era linda: uma dança. As árvores se mexiam compassadamente de uma lado para o outro e, harmoniosamente, quase competiam para ver qual delas balançava mais os galhos, as folhas, os ramos. Do chão, das próprias árvores e quem sabe mais de onde, folhas eram arrastadas e formavam um redemoinho verde e alto. Era exuberante. Determinado, o vento indicava a direção para as folhas e árvores, ao mesmo tempo que cantava para elas. Era um espetáculo delicado e forte, e eu estava nele. Eu estava inserida em toda aquela beleza. O redemoinho corria ao redor do meu carro, uma das folhas se aventurou e caiu no meu colo.

Fui mais surpreendida e agradada do que podia imaginar: Deus compôs pra mim uma linda dança com os personagens que mais gosto: o sol e o vento. E foi uma combinação perfeita.

sábado, 23 de julho de 2011

O que pode acontecer em 7 dias

. fiz o Gui me levar às 4:00 da manhã no aeroporto
. viajei de avião pra Londrina
. levei chuva pra Londrina
. vi aeromoças antipáticas de cabelo mal arrumado e maquiagem mal feita
. bebi cerveja com meu pai e com a Rafinha
. passei mal à noite da bronquite
. passei o aniversário do meu pai no hospital
. passei a semana tomando antialérgico
. perdi 2 campeonatinhos de "pif"
. ganhei um jantar
. comemorei o dia do amigo
. ganhei 2 campeonatinhos de dominó
. perdi meu voo por causa do mau tempo
. tomei chuva
. vi (ao vivo) o Galvão Bueno se dar bem
. fui parar num hotel 5 estrelas
. comi os pratos mais caros do hotel
. assisti filme preto e branco usando robe e comendo castanha
. andei de taxi
. me perdi
. conheci pessoalmente uma dupla sertaneja
. meu voo atrasou mais de 30 minutos
. minha mala foi a primeira a sair na esteira
. tomei vinho
. dancei funk
. cantei em videokê
. comi fondue

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Cena engraçada 2

Depois de muito insistirem, três amigos meus conseguiram me levar para jantar na companhia deles e na companhia dos meus dois ex-namorados. Sim, já começa a ficar divertido aqui. Éramos seis. Era só eu de mulher. Eram dois ex-namorados.

Cheguei no lugar acompanhada de um dos amigos e, um segundo depois, mais dois apareceram. Não demorou muito para que a última dupla surgisse pelo corredor.
Eu estava bonita, arrumada, corte novo de cabelo e sim, acompanhada de seis belos rapazes. Não preciso dizer o quanto estava me sentindo bem. Afinal, se dizem que há duas mulheres, em média, para cada homem, eu estava desbancando umas nove!

Além da cena engraçada que acontecia paralelamente - meus ex-namorados, juntos, vendo o que iam comer -, uma segunda começou a passar bem no caixa ao lado do meu: dois moços faziam seus pedidos ao atendente, mas um deles escutou meu nome saindo da boca de um dos meus amigos e foi mais que suficiente para que o estranho se achasse íntimo para me chamar de "Paty" também.

O "Paty" não veio sozinho, veio acompanhado de um xaveco barato, pouco original, porém, corajoso e destemido. Afinal, cinco homens não intimidaram meu admirador da fila do hamburguer!

Cena engraçada 1

Numa tarde de um dia de férias, resolvi ir até um out let de uma das lojas que vendem o meu número de jeans: 34.
Como eu bem sabia, encontraria lá dezenas de modelos e opções, mas meu objetivo eram três peças. Três calças jeans e nada mais.
O vendedor, fazendo o papel do vendedor atencioso, começou a perguntar qual dos modelos expostos me agradava. E, depois de escolher alguns, eu fui rumo ao provador e ele, rumo ao estoque, para buscar a numeração correta das roupas que eu tinha gostado.

No provador, eu já descartava algumas calças pela cor, afinal para mim não tem coisa mais feia do que jeans sem cara de jeans.

Tirei o meu jeans - um tanto velho, eu diria - e comecei a botar minhas pernas nas pernas das calças. Mas foi entre retirar uma e pegar a seguinte, que a voz do vendedor apareceu por detrás da cortina do provador.
Eu queria pegar os jeans que ele havia trazido, mas me deu a bendita preguiça dos 10 segundos e, por isso, não queria ter que vestir a minha calça só para abrir a cortina. Eu não coloquei, então, a calça e, portanto, fiquei só de calcinha. Mas não, eu não abri a cortina completamente.

O plano foi puxar, delicada e cuidadosamente, um pouco do tecido para eu pegar com apenas uma mão aquilo que estava com meu atendente. O fiz. Fechei a cortina e ao me virar, me dei conta, de fato, do que havia naquele provador - e, espera-se, em todos os provadores do mundo -: um espelho.

A abertura que fiz no pano para ver o vendedor, permitiu também a ele uma visão: a do meu traseiro em reflexo!
A solução foi ficar vermelha, me xingar de idiota, não querer nunca mais sair daquele cubiculo, agradecer pela calcinha em ordem que eu estava usando e fingir que nada tinha acontecido.

Sai de lá com uma pilha de calças que não levaria, a qual serviu por breves segundos para tapar meu rosto da vergonha, e outras três na mão que debitariam pouco mais de R$200,00 da minha conta. Estas, pelo menos, serviriam para esconder meu bumbum.

A vontade que não vem

Muitas vezes, eu gostaria de fazer uma série de coisas, mas mesmo querendo fazê-las, eu simplesmente não tenho vontade para. Você consegue entender isso? Compreende a diferença entre uma coisa e outra?

Eu queria ter vontade de praticar um esporte, de dormir e acordar mais cedo, de fazer uma trabalho voluntário, mas não tenho.
Sinto vontade de escrever todo dia, de ficar feliz todo dia, de não ter recaídas emocionais e espirituais, mas na grande maioria das vezes, a vontade não prevalece.
Gastar melhor meu dinheiro, me planejar melhor, ser mais organizada, viajar mais, ser menos preguiçosa, são vontades que tenho, mas que nunca as ponho em prática.
Minha vontade de ser mais segura, mais discreta, mais confiante, mais tranquila não me torna nada disso.
Tenho tanta vontade de orar mais, de ler mais a Bíblia, de voltar a estudar, de ser mais obediente a Deus. Vontade de ser menos covarde, de ser mais ousada e inteligente, ser mais sábia, mais forte, mais resoluta.
Eu adoraria não ter vontade de chorar em público, de me expor, de lembrar constantemente o que já passou. Queria ter a não-vontade para sentir medo, brigar, discutir, ser teimosa, implicante, desamorosa e irritante.

Tenho vontade para ter e para não ter. Mas, infelizmente, a vontade, seja uma ou outra, não vem.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Coisas simples da vida

Eis minha lista de coisas simples da vida, as quais me fazem bem, me dão prazer, me emocionam, fazem eu me apaixonar, me encantam:

- Joaninhas
- Vento no rosto (quanto mais frio melhor)
- O barulho do mar
- Ver as nuvens se moverem e mudarem de forma
- Lírios
- Beija-flor
- Poesias e poemas
- Beijo de esquimó
- Louva-a-Deus, grilos e gafanhotos
- Pérolas
- Beber de canudinho até o último e fazer aquele barulho
- Libélulas
- Abrir lata de refrigerante
- Borboletas
- Pé de morango
- Deitar na grama
- Banho de cachoeira
- Brigadeiro de panela
- Pipoca de panela
- Alecrim
- Comer manga chupando da casca
- Ver o caminho das formigas
- Observar uma criança dormindo
- Banho de chuva
- Eclipse
- Deitar no chão e ver o céu estrelado
- Tomar leite puro
- Dormir na rede
- Comer de colher
- Comer melancia em fatia
- Abraço de vó e vô
- Caminhar na rua, na praia, no parque
- Tomar sol
- Cafuné
- Colocar a roupa assim que ela é passada, porque está quentinha
- Chupar gelo
- Algodão doce
- Me espreguiçar no banho
- Pegar no sono rápido
- Acordar e ver que posso dormir mais
- Fazer carinho na orelha
- Escrever e pensar bobagem
- Ouvir o "tec-tec" do moço que vende biju na rua
- Comer milho na espiga
- Ficar deitada no peito
- Poder ficar com alguém em silêncio
- Carinho na mão

A sutileza de Deus

"...tomei-os nos meus braços, mas não atinaram que eu os curava. Atraí-os com cordas humanas, com laços de amor; fui pra eles como quem alivia o jugo de sobre suas queixadas e me inclinei para dar-lhes de comer." Oséias 11:3,4

Ao meu redor tenho uma sala, a porta do meu quarto, uma planta no canto do cômodo. Todo esse espaço está iluminado e bem arejado. Posso ouvir uns pássaros cantando lá fora, além de uns periquitos que visitam todos os dias a janela da minha vizinha, eles são grandes e lindos.
Na cozinha há comida pronta para o almoço, já tomei um banho quente e estou usando um moleton bem quentinho.

Quem me deu tudo isso? Quem fez tudo isso?

Depois do texto de Oséias que li hoje na minha devocional diária, percebi que tudo, exatamente tudo, é um presente de Deus. É algo que, cuidadosamente, Ele nos dá todos os dias, a fim de nos agradar, de ministrar ao nosso coração uma verdade, de nos cortejar. Ele nos dá para alegrar o nosso dia, para nos fazer felizes. Ele nos mima, nos surpreende e cuida.

O vento que bate no rosto, a fruteira cheia de frutas, a letra de uma linda música, a chuva que não te molhou, o ônibus que passou na hora certa, a ligação de alguém importante pra você; tudo isso é Deus te agradando.

É isso que o texto nos fala. O próprio Deus é capaz de se inclinar para nos dar de comer, Ele mesmo cuida de nós quando não estamos bem e faz isso "com laços de amor".
Notei, então, o quanto somos insensíveis a Ele. Nós não percebemos o que Ele faz, muito menos o que Ele deixa de fazer para o nosso bem. É que Deus é sutil.

Eu tenho toda uma lista de coisas simples da vida que mexem comigo. Hoje, eu sei que quando me deparo com alguma delas, é Deus me mandando um agrado, um recado, um lembrete, uma alegria.

Hoje eu vou sair de casa mais atenta, mais sensível, mais perceptível. Tenho certeza que Ele preparou um dia muito especial pra mim; quero vivê-lo. Quero notar e experimentar a sutileza de Deus.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

O bode

Tem dia que não é TPM, não é problema no trabalho, não é saudade, não é doença, é o bode.
O bode traz a vontade de ficar na cama com meia de lã e moleton velho. Ele faz você ficar com preguiça de ir ao banheiro, de escovar os dentes e até de comer. E, por isso, faz você cozinhar um miojo pro jantar, deixando a panela suja na pia.
O danado faz você ficar em silêncio, não sorrir, não achar graça, só desgraça. Ele te lembra das músicas mais tristes, mais deprês e mais anos 90 possível! Você canta "Eu gosto tanto de você" e "É preciso saber viver".
Quando ele aparece, há desânimo, choro, mau humor e falta de jeito, de trejeito, de querer, de vontade.
O pior é que ele é incoveniente e quando faz uma visita, ele chega cedo, vai tarde, ocupa espaço, não pede licença e entra onde quer sem permissão.
Se não bastasse, o bode te convence que açúcar melhora, então você se entope de chocolate e - como se tivesse alguma relação com isso - você se entope de Doritos ou pipoca.
A fim de tentar se ocupar e ocupar o bode, você liga a TV e acaba assistindo a primeira temporada de Dr. House, Friends ou alguma que já acabou há tempos e era muito ruim, tipo The OC. Caso não goste de seriados, você vê o primeiro filme do Batman, Titanic ou Hannibal.
Você fica pela metade: meio triste, meio esquisito, meio sonolento, meio assim.
Tô de bode, tô com o bode.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Sem entrelinhas

Nua. É assim que me sinto em relação aos meus sentimentos, às minhas percepções, aos meus desejos, sofrimentos e sonhos. Não no sentido de não o tê-los, mas porque ficam sempre à mostra.
Não tenho medo do que vem à tona, não há entrelinhas em mim e praticamente tudo fica exposto: os pensamentos, as expectativas, as projeções. E os traduzo sem rodeios: num diálogo, num beijo, num abraço, num olhar, num sorriso. Me decifrar, portanto, é fácil, difícil é me encarar. Nem todo mundo me banca.
Transmito-me às pessoas, me relacionando profundamente com elas. Amo, desejo, lembro, esqueço, odeio, me envergonho, sinto saudades, procuro, falo, escuto.
Meus sentimentos são, por mim, sempre muito bem organizados, eles têm nome e lugar. Não há em mim dificuldade alguma de reconhecê-los, de exprimi-los. Sou uma mulher que sabe o que sente. Sou nua e crua, assim como a verdade.
Eu me abro, me mostro, me ponho à prova, me desnudo, grito o que tenho. Eu deixo tudo em evidência, sem dúvida, consistente e constantemente.
Sou intensa, não sou misteriosa. Não me preservo nunca e talvez isso me leve ao prejuízo na maioria das vezes. É porque as pessoas, também na maioria das vezes, não sabem lidar com quem se despe, perde a vergonha, mostra a cara e a dá à tapa.
Sou assim. E estou assim. Sou pronta para a repreensão, mas ela não me reprime. Apanho, mas não caio e, por isso, não preciso me levantar. Fico em pé, com o rosto marcado levantado. Permaneço em pé; a queda já não acontece mais.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Já sei, já sei!

Por que nós não lidamos com aquilo que já sabemos?
Existe uma série de pressupostos e de certezas que estão arraigados em nossa vida e cotidiano, mas no momento em que devemos recorrer e correr para essas convicções elas somem.

Nós sabemos que:
- somos bons profissionais
- somos agradáveis
- nossa família nos ama
- Ele tem um amor incondicional
- ele te ama
- pra quem gosta de surpresa, surpresa é sempre bom
- chocolate e refrigerante engordam
- cigarro faz mal
- devíamos usar protetor solar todos os dias
- as contas não vão ser pagas se ficarem sobre a mesa
- se num dia faz sol, no outro chove
- nós vamos morrer
- nossos queridos vão morrer
- as coisas mudam
- as pessoas adoecem
- o governo é corrupto
- as pessoas são maldosas
- os juros e impostos são altos

...e uma série de outras coisas, mas o fato é que na hora h, agimos como se alguém nunca tivesse nos contado isso. Nós atrasamos as contas, nós fumamos, nós questionamos o amor que as pessoas tem por nós o tempo todo. Nós deixamos de fazer coisas agradáveis por "não sabermos se o outro vai gostar".

Fingimos não saber que os momentos ruins aparecerão, que vamos nos deparar com pessoas maldosas, que passaremos meses trabalhando só pra pagarmos taxas e taxas. Nós esquecemos que já nos contaram sobre a inconstância das pessoas, sobre o benefício de praticar esportes e comer de maneira mais saudável.

Infelizmente, é muito pouco o falar uma única vez. Nós queremos ouvir o "Te amo" todos os dias, desejamos o sol diário quando abrimos a janela, ansiamos a felicidade constante de nossa família e amigos. Nós temos a necessidade de ouvir mais de uma vez, assim como uma criança precisa ouvir várias vezes a mesma instrução e recomendação. E isso não está certo.

Quero lidar com o que já sei. Quero fazer uso das coisas que já me contaram, me disseram e das coisas que eu mesma descobri. Convicções que, obviamente por serem chamadas assim, são imutáveis. É com elas que tenho que viver.

Que nossas inseguranças, dúvidas e achismos sem fundamento sejam deixados de lado, já que são eles os responsáveis pelo grande sentimento de desconfiança e insconstância para com o outro que, geralmente, é a pessoa que mais amamos. Que acreditemos no que as pessoas nos dizem. Sim. Que acreditemos e que possamos dizer a quem quer nos repetir: "Já sei!Já sei!".

domingo, 17 de abril de 2011

Saudades

...de ouvir minhas músicas preferidas, incomuns e diferentes no MP3
...de andar todo sábado de manhã no parque
...de comer pipoca e M&Ms no cinema
...das viagens de carro ao Paraná
...de assistir "Vale a pena ver de novo"
...de ver meu avô sentado no quintal vendo os cachorros
...do cheiro de mandioca cozida na casa da minha avó
...de ver meu pai todo dia que ele chega do trabalho
...do barulho da chaleira com água fervente pro chá da minha mãe
...de ler um livro por semana
...de procurar palavras no dicionário
...de estudar
...de comer croissant do Benjamim Abraão
...de pesquisar sobre memória feminina
...de discipular
...de dirigir na estrada
...de ver o nascer do sol na praia
...de tomar raspadinha sem leite condensado
...de comer milho na espiga
...de fazer geladinho de chocolate com minha avó
...de chupar 7 Belo
...de rebobinar a fita
...de ir à locadora
...de pegar 3 sessões de cinema num dia
...de passear na Av. Paulista usando casaco e cachecol

(O que me faz tornar esta nostalgia em algo bom, é o fato de que posso matar a saudade da maioria destas coisas!)

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Relevância

"Importância; lado vantajoso de alguma coisa".

Uma atitude pode ser relevante, uma resposta, uma pergunta, uma conclusão, uma percepção. Mas uma vida, um sentimento, um desejo, um impulso, uma motivação são, de fato, relevantes.

Essa é a difuldade das coisas: aquilo que é e aquilo que pode ser. Aquilo que sim e aquilo que talvez. Aquilo que sei e o que não sei. Por isso, a dificuldade de categorizar o que tem relevância e o que não tem.
...
Tenho a mania, a atitude, o desejo, a ação de sempre perguntar. Pergunto sem saber, pergunto sabendo, querendo ou não, refletindo sobre algo e não pensando em nada. Pergunto porque sou curiosa, mas também e, principalmente, porque sou interessada.
Pergunto até o que ninguém quer saber, até aquilo que eu não quero saber. Pergunto o nome pra conhecer.

Minhas perguntas são boas, são bobas. Perguntas sem sentido, sem ideia, sem noção, sem por quê, sem relevância. Ora são complexas, prolíxas, filosóficas, importantes e chatas.

Questionamentos como todo mundo tem, como todo mundo sente. Todo mundo é perguntador, só pergunta de coisas diferentes. E é justamente a diferença que faz com que as pessoas julguem a importância, a indiferença.
...
Aquilo que me é relevante é aquilo que me interessa, que me move, que sem por quê e nem pra que, me motiva.
Relevância pra mim nem sempre faz ou tem sentido. Nem sempre é sentida ou notada. Relevância pra mim é até aquilo que não a tem.

Remo

Uma vez assisti um vídeo com um homem que discursava sobre as diferenças entre o cérebro feminino e o cérebro masculino, e uma das observações foi que a mente feminia está em constante pensamento. Ela mão para um minuto sequer, as percepções, achismos e sentimentos são diferentes, mas tornam-se uma coisa só no cérebro da mulher. E não que eu já não soubesse, mas nesta madrugada vivi isso mais uma vez.

Acordei um pouco antes da cinco espirrando e querendo fechar a janela, mas com um preguiça danada de fazê-lo. O nariz começou a escorrer, a garganta ficou seca; fiquei com sede. Então, levantei pra beber água, fui ao banheiro, trouxe um pedaço de papel comigo, porque sabia que a crise de rinite não havia passado só por causa desse período de vigília.

Mas achei que pegaria no sono de novo rapidamente e que, após algumas espirradas, eu me sentiria quentinha na cama outra vez, aconhegada e adormecida. Não foi isso o que aconteceu.

Os pensamentos estavam lá desde o segundo que me percebi despertada. Os mesmos pensamentos - ou a continuidade deles - que tive no caminho de casa de ontem ainda estão aqui.

Pensei no que falei, no que me foi dito. Refiz minhas interpretações, meus pareceres e repensei tudo. Tive um diálogo, mas sozinha. Expus minha opinião, minha chateação e percepção, mas sem tirá-las da cabeça. Tudo aqui dentro do meu quarto, tudo aqui dentro de mim.

E - também, não que já não tivesse notado, mas - percebi duas coisas muito interessantes. Primeiro que só o ato de pensar me dá o desabafo. Não precisei falar, não chorei, não gargalhei, só refleti. Segundo que aquilo que faz eu limitar e ordenar meus pensamentos, é escrever.

Conclusão: ainda estou pensando naquilo, mas de maneira mais contida, estou com fome, já faz mais de uma hora que estou acordada e ele, o objeto do meu pensamento, está numa aula de remo. E o melhor? Muito provavelmente não está pensando em nada, com exceção talvez de quantas remadas tem que dar, quantas séries de exercício tem que fazer, quando será a próxima aula na raia.

Mudanças


Mudei de apartamento, de condomínio, de bairro, de cidade, de endereço. Meu CEP é outro, minha vaga para o carro é outra e o mercadinho e a padaria são outros.

Eu abro a janela da sala e vejo uma paisagem diferente e isso acontece quando abro também a janela do meu quarto e a da lavanderia.

Ainda não tenho guarda-roupa, tudo está em caixas e, por isso, só a minha cama fica devidamente arrumada.

Até o tempero da comida mudou, porque agora ela é feita por mim. A vassoura, o rodo, o pano de chão, o ferro de passar, a máquina de lavar roupa e o varal são utensílios que agora se aventuram nas minhas mãos.

Os chinelos que deixei no canto do quarto e que, desajeitadamente, ficaram um em cima do outro continuam assim. A roupa para passar que empilhei perto da minha cama ainda está lá. O pedaço de papel na minha cadeira permanece no mesmo lugar.

Este novo lugar, esta nova morada, que me recebe há menos de duas semanas, já me viu sorrir, já me viu chorar, já me viu sem roupa e com uma dúvida danada do que vestir. Nesta nova casa já pensei demais, já me arrependi e não fiz nada com isso, mas também já voltei atrás.

É aqui que moro, que fico, que durmo, que guardo os meus pertences. Mas é o número da casa onde moram minha mãe e meu irmão que está registrado como "casa" no meu celular.

Lar doce lar.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Pinga Chuva Molha

Quando faz sol, quando faz nuvem, é quando as pessoas vão pra fora. Elas caminham, andam, se exercitam, vão ao clube, à praia. Elas ficam bronzeadas, suadas, vermelhas, queimadas. Elas ficam felizes.
Os parques ficam cheios, as praias ficam lotadas e, no clube, as pessoas disputam as cadeiras, mesas e guarda-sóis.
Os restaurantes trabalham à base da reserva, os bares suportam gente bebendo em pé e pedindo a conta. E isso pra não falar das ruas abarrotadas de gente andando, dirigindo, pedalando, gritando; atravessando de lá pra cá.
...
Quando chove, é quando as pessoas ficam dentro. Elas dormem, assistem filmes, temporadas inteiras de uma série da TV. Comem mais, fazem noites de jogos, pedem pizza e tomam vinho.
Os parques ficam vazios, as praias ficam cobertas pela maré que sobe e, no clube, os sócios utillizam a piscina coberta e as aulas de dança de salão.
Os restaurantes e bares já não ficam tão disputados e muito mais do que espaço, é necessário disponibilizar um número considerável de guarda-chuvas, que são trazidos e levados pelos rapazes do valet. E isso pra não falar das ruas abarrotadas de água, que dificultam o trânsito, que assustam as pessoas e as fazem subir no banco do ponto de ônibus para se manterem o menos molhadas possível.
...
Chovia. Troquei um pelo o outro e fui pra fora. Caminhei, o vento no rosto, os pingos daquela "chuva-garoa" que a medida que caíam eu os sentia um a um. Refrescante. Tocava.
E o cheiro?Cheiro de chuva. Cheiro de terra. Cheiro de água da chuva na terra. Tudo isso somado e misturado foi o cenário perfeito de uma tarde paulista nubalada, abafada e chuvisquenta.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Agonia

Começo a pensar em mil coisas. Não consigo ordená-las, não consigo compreendê-las, nem processá-las. São mil coisas que se multiplicam e tomam a minha mente por inteiro. Fico completamente absorta em imagens, sonhos, pesadelos, por quês e quereres.
A ansiedade entra e me tira o ar. Me revira de tal maneira que nem minha respiração segue o curso natural da inspiração e expiração. Descontrola-me.
É tão abstrata e tão física ao mesmo tempo. Não sei se existe, se é imaginada. Mas de dentro de mim estoura uma dor. Começa na altura do estômago e vai subindo. É uma dor que não dói, mas que é sentida. É uma dor que prende, asfixia. Assusta-me.
É incontrolável o borrão de sentimentos que perpassa o meu coração quando me sinto assim; é medo, é dúvida, é prazer, é curiosidade, é insegurança, é impotência.
Sinto os pés formigarem e a dormência chega às pernas. É a sensação de se levar um susto, sendo que esse susto eu mesma me dou; não sei se propositalmente. Mas é incômodo demais perceber que há momentos em que minha cabeça e meu coração perdem o rumo. Perdem o prumo. E que sou eu a causadora dessa perda.
Não sei como escapar disso, porque tudo acaba por ser eu mesma. Não consigo fugir de mim nem de tudo aquilo que me parece externo, mas se interioriza de tal maneira que se torna inerente.
A minha mente assim é inabitável e nem eu mesma tenho coragem para adentrá-la e, de algum jeito, tentar colocá-la em ordem.
...
Há ordem?
..
Não sei.

Roda Gigante




Confesso que não estava muito animada para visitar um museu hoje. Estava tão calor e o céu tão azul, e como isso tem sido uma raridade na cidade de São Paulo, não queria desperdiçar a tarde em um lugar fechado.
Fui assim mesmo e fui praticando ao longo do caminho o exercício do interesse, para de qualquer maneira aproveitar o passeio cultural que íamos fazer.
Tudo começou bem, porque achei uma vaga numa rua bem próxima ao MASP, depois praticamente não havia fila para pegar o ingresso (ta aí uma ótima dica: todas as terças o MASP tem entrada gratuita) e porque o ar condicionado estava muito agradável!
Começamos a visita pelo segundo andar. É o andar das coisas que sempre estão lá - mas que grosseria a minha - é o andar dos quadros e esculturas que sempre estão expostos lá!
É uma série de Manet, Monet, Rodin, Goethe, Di Cavalcanti etc. É uma série para qual a maioria, sim a maioria, das pessoas olha e pensa: "Aham!Humm!Aham!" e é isso!Não elas não entendem, não elas não conhecem. Por isso, já aceitando que o meu olhar para aquela arte toda era igual ao olhar que eu dispenso a algum outdoor, parei para ler as frases que estavam ao lado dos quadros e que ajudavam a compor a cena da exposição. Uma delas dizia: "Tudo o que eu vejo é vida, e nada mais que vida".
Achei linda e gravei na memória pra colocar no status do Facebook quando chegasse em casa. Continuei andando, continuei lendo.
Assim que esgotamos o andar superior, descemos e havia uma exposição de Wim Wenders, que até então desconhecia, chamada "Lugares, estranhos e quietos".
Meu interesse ai mudou, porque não eram mais quadros, eram fotografias; uma cratera de um meteorito na Austrália, um cemitério no meio da cidade em Tóquio, um banco vermelho virado para uma grade com o mar ao fundo, uma roda gigante abandonada.
...
Achei estranho adjetivar a roda gigante dessa maneira, mas foi assim mesmo que pensei: "Nossa!É uma roda gigante abandonada!". Mas espere um pouco, alguém aí tem uma roda gigante e a abandona?A deixa?Seria possível, então levá-la?Pobre roda gigante!Foi, sem escolha, deixada para trás.
O cenário era rural, a grama alta, os cestos caídos ao chão, o branco pintado com a ferrugem, casas e prédios bem ao fundo.
No mínimo, ali esteve um parque, que por muitas noites animou a vizinhança e se apresentou como uma opção de lazer para uma típica população do interior. Mas tudo acabou, o parque não lucrara o suficiente, ou sim, e o dono resolvera ir pra um outro lugar. Mas não se importando com aquilo que esteve firme e forte naquele espaço, girando e girando sem parar, não titubeou em largá-la ali. Pobre roda gigante!
...
Desmontaram o carrossel, não desmontaram?Desfizeram as barracas de tiro ao alvo, não desfizeram?Transportam as barracas de comida, não transportaram?Por que, então, não a tiraram dali?Por que a deixaram sozinha?Imagine a tristeza da roda gigante!Ela é roda mas não gira, é gigante mas não se move. Ô vidinha, viu?
Lembrei da frase que, anteriormente, havia memorizado: "Tudo o que eu vejo é vida, e nada mais que vida". Era vida, então.
Em "vida" tantas coisas boas estão implícitas: acontecimentos, aprendizado, crescimento, descoberta, beleza, espontaneidade. E mesmo que a roda gigante possuísse uma "vida-inha", ela ainda possuia uma, ela ainda possuia tudo "isso-inho".
...
Saí menos triste, acreditando que para aquela gigantona que rodar não rodava mais, até valia a mediocridade de colocar a vida no diminutivo.

(Foto: http://www.redebrasilatual.com.br/multimidia/blogs/curta-essa-dica/wim-wenders-expoe-fotos-no-masp acessado em 19/01/11)

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

O Banho

Chega. Cansada. Esquecida. Ofuscada por mais um dia que passou pelas pessoas que, assim como ela, labutaram o dia todo, as quais ficam imersas na balburdia da cidade grande.
O primeiro lugar pelo qual passa é a porta de entrada e em seguida a porta de seu quarto. Ensolarado, limpo, sem resquícios, sem migalhas. Também pudera, de tão pouco habitado que é. À noite comporta a cama e o corpo que sobre ela repousa. De dia, como já fora dito, é a luz do sol que abriga. Ensolarado.
Ao adentrar o cômodo encharcado de calor agradável, coloca sobre a escrivaninha seus pertences, que acabam por serem inerentes aquela pessoa de tanto acompanhá-la; guiá-la muitas vezes. As coisas, muito mais do que colocadas, são retiradas de si, como um soldado ou guerreiro ao se desarmar. Desgruda-lhe a armadura, aparta-lhe a arma. Assim também a bolsa, o relógio, os brincos, os sapatos, a blusa, as meias.
O corpo já sabe para onde ir, é mecânico, é diário, é estático e, paradoxalmente falando, se encaminha para o banheiro.
O restante da armadura é despido. Água. Passa pela porta. Adentra novamente. Mas não é o sol a esperar, a luz a iluminar. É a água e sua liquidez, sua umidade.
Cada gota é imensurável, incontável; toca-lhe a pele, aquecendo-lhe o corpo, massageando-lhe os nódulos do cansaço e do stress.
Mais atos mecânicos. Ensaboa, esfrega, limpa, lava, purifica.
Agacha-se. Cócoras. Senta-se sobre as pernas, joelhos no chão. Mas mesmo mudada a posição, a água não cessa. Os pingos em sua individualidade, únicos, continuam a cair, continuam a gotejar.
Mas, percebendo-se, repara no fluxo da água, no caminho que ela percorre, as formas que faz em seu corpo. São como mapas, como direções, como coordenadas. E ela observa e percebe cada uma daquelas gotas que insistem em tocar-lhe a pele.
Encolhida. Agarrada a si. Sente a água pesando em sua nuca, porém num súbito, a água esfria. Dura poucos segundos, mas é o suficiente para eriçar-lhe os pelos. Morna. Quente. Continua na mesma posição. Segundo súbito. Os pelos. Morna. Quente.
Desiste. Levanta-se. E para contrapor a posição em que estava por vários minutos, estica-se, alonga-se, espreguiça-se; sente cada extremidade.
A água para. O corpo sai e envolve-se para a secagem, para que cada gota que já não cai, mas ainda resta, já não reste mais. Seca. Desistiu, porque afinal, haveria outro súbito; a água tornar-se-ia fria de novo.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

"Que horas são?"

"- Cara, vamo embora!Hoje ainda é segunnda-feira!Não dá pra ficar chegando tão tarde assim durante a semana.
- Beleza! Vamo sim.Que caminho você acha mais fácil?Acho que é melhor ir por dentro não é?
- Ah, acho melhor ir pela Paulista, ai a gente já cai na Rebouças.
- Beleza.
...
- Liga o som ai.
- Melhor não, já tá chovendo pra caramba, olha o vidro aqui todo embaçado!Se ligar o rádio vou ficar desconcentrado e tá complicado dirigir assim.
- Ah vai!Nem tá chovendo tanto assim!
- Não é você que tá dirigindo né? Mas e ai?Como foi com o cara lá hoje?
- Ah meu, foi de boa... conversei com ele sobre o horário né?Disse que não tinha combinado isso, mas que eu tava afim de continuar lá na empresa. E ele falou pra passar amanhã lá de novo pra revermos isso.
- Legal, cara! Você não vai precisar sair de lá não.
- É, espero que não, mas com esse horário zuado não dá.
...
- Na boa, faz umas 3 horas que tá chovendo?
- Por aí né? Que horas são?
- Meia noite e pouco, tô sem relógio...
- Deixa eu ver no celular...
- Cuidado cara, olha o farol!
...
- Bateu!O filha da mãe bateu no meu carro!
- Você freiou em cima, meu!
- Eu ia passar, cara, mas ai ficou amarelo!Tive que parar!
- Relaxa, ele que tá errado, bateu na tua trazeira.
- Não vou descer não, meu!
- Como não?Tá doido?Vai lá!Ó ele já ligou o pisca alerta!
- Tô com a documentação errada, velho!
- Ixxi!Mas olha abriu a porta do carro, você vai ter que ir lá!
- Vou nada...deixa eu sair devagar...É até melhor pra ele mesmo, pô!Porque se eu for lá ele vai pagar os dois.
- Então vamo logo, vamo logo...
...
- O Renault tá ai atrás, você viu?
- Vi...
- Vai parar?
- Acho que sim, ele tá me seguindo!Ah não!Olha lá!O cara entrou na direita!
...
- Putz!Ia dar o maior rolo isso...
- É...melhor assim."

(E foi esse o diálogo que hipoteticamente aconteceu no carro em que bati)