Começo a pensar em mil coisas. Não consigo ordená-las, não consigo compreendê-las, nem processá-las. São mil coisas que se multiplicam e tomam a minha mente por inteiro. Fico completamente absorta em imagens, sonhos, pesadelos, por quês e quereres.
A ansiedade entra e me tira o ar. Me revira de tal maneira que nem minha respiração segue o curso natural da inspiração e expiração. Descontrola-me.
É tão abstrata e tão física ao mesmo tempo. Não sei se existe, se é imaginada. Mas de dentro de mim estoura uma dor. Começa na altura do estômago e vai subindo. É uma dor que não dói, mas que é sentida. É uma dor que prende, asfixia. Assusta-me.
É incontrolável o borrão de sentimentos que perpassa o meu coração quando me sinto assim; é medo, é dúvida, é prazer, é curiosidade, é insegurança, é impotência.
Sinto os pés formigarem e a dormência chega às pernas. É a sensação de se levar um susto, sendo que esse susto eu mesma me dou; não sei se propositalmente. Mas é incômodo demais perceber que há momentos em que minha cabeça e meu coração perdem o rumo. Perdem o prumo. E que sou eu a causadora dessa perda.
Não sei como escapar disso, porque tudo acaba por ser eu mesma. Não consigo fugir de mim nem de tudo aquilo que me parece externo, mas se interioriza de tal maneira que se torna inerente.
A minha mente assim é inabitável e nem eu mesma tenho coragem para adentrá-la e, de algum jeito, tentar colocá-la em ordem.
...
Há ordem?
..
Não sei.
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