quarta-feira, 20 de abril de 2011

Já sei, já sei!

Por que nós não lidamos com aquilo que já sabemos?
Existe uma série de pressupostos e de certezas que estão arraigados em nossa vida e cotidiano, mas no momento em que devemos recorrer e correr para essas convicções elas somem.

Nós sabemos que:
- somos bons profissionais
- somos agradáveis
- nossa família nos ama
- Ele tem um amor incondicional
- ele te ama
- pra quem gosta de surpresa, surpresa é sempre bom
- chocolate e refrigerante engordam
- cigarro faz mal
- devíamos usar protetor solar todos os dias
- as contas não vão ser pagas se ficarem sobre a mesa
- se num dia faz sol, no outro chove
- nós vamos morrer
- nossos queridos vão morrer
- as coisas mudam
- as pessoas adoecem
- o governo é corrupto
- as pessoas são maldosas
- os juros e impostos são altos

...e uma série de outras coisas, mas o fato é que na hora h, agimos como se alguém nunca tivesse nos contado isso. Nós atrasamos as contas, nós fumamos, nós questionamos o amor que as pessoas tem por nós o tempo todo. Nós deixamos de fazer coisas agradáveis por "não sabermos se o outro vai gostar".

Fingimos não saber que os momentos ruins aparecerão, que vamos nos deparar com pessoas maldosas, que passaremos meses trabalhando só pra pagarmos taxas e taxas. Nós esquecemos que já nos contaram sobre a inconstância das pessoas, sobre o benefício de praticar esportes e comer de maneira mais saudável.

Infelizmente, é muito pouco o falar uma única vez. Nós queremos ouvir o "Te amo" todos os dias, desejamos o sol diário quando abrimos a janela, ansiamos a felicidade constante de nossa família e amigos. Nós temos a necessidade de ouvir mais de uma vez, assim como uma criança precisa ouvir várias vezes a mesma instrução e recomendação. E isso não está certo.

Quero lidar com o que já sei. Quero fazer uso das coisas que já me contaram, me disseram e das coisas que eu mesma descobri. Convicções que, obviamente por serem chamadas assim, são imutáveis. É com elas que tenho que viver.

Que nossas inseguranças, dúvidas e achismos sem fundamento sejam deixados de lado, já que são eles os responsáveis pelo grande sentimento de desconfiança e insconstância para com o outro que, geralmente, é a pessoa que mais amamos. Que acreditemos no que as pessoas nos dizem. Sim. Que acreditemos e que possamos dizer a quem quer nos repetir: "Já sei!Já sei!".

domingo, 17 de abril de 2011

Saudades

...de ouvir minhas músicas preferidas, incomuns e diferentes no MP3
...de andar todo sábado de manhã no parque
...de comer pipoca e M&Ms no cinema
...das viagens de carro ao Paraná
...de assistir "Vale a pena ver de novo"
...de ver meu avô sentado no quintal vendo os cachorros
...do cheiro de mandioca cozida na casa da minha avó
...de ver meu pai todo dia que ele chega do trabalho
...do barulho da chaleira com água fervente pro chá da minha mãe
...de ler um livro por semana
...de procurar palavras no dicionário
...de estudar
...de comer croissant do Benjamim Abraão
...de pesquisar sobre memória feminina
...de discipular
...de dirigir na estrada
...de ver o nascer do sol na praia
...de tomar raspadinha sem leite condensado
...de comer milho na espiga
...de fazer geladinho de chocolate com minha avó
...de chupar 7 Belo
...de rebobinar a fita
...de ir à locadora
...de pegar 3 sessões de cinema num dia
...de passear na Av. Paulista usando casaco e cachecol

(O que me faz tornar esta nostalgia em algo bom, é o fato de que posso matar a saudade da maioria destas coisas!)

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Relevância

"Importância; lado vantajoso de alguma coisa".

Uma atitude pode ser relevante, uma resposta, uma pergunta, uma conclusão, uma percepção. Mas uma vida, um sentimento, um desejo, um impulso, uma motivação são, de fato, relevantes.

Essa é a difuldade das coisas: aquilo que é e aquilo que pode ser. Aquilo que sim e aquilo que talvez. Aquilo que sei e o que não sei. Por isso, a dificuldade de categorizar o que tem relevância e o que não tem.
...
Tenho a mania, a atitude, o desejo, a ação de sempre perguntar. Pergunto sem saber, pergunto sabendo, querendo ou não, refletindo sobre algo e não pensando em nada. Pergunto porque sou curiosa, mas também e, principalmente, porque sou interessada.
Pergunto até o que ninguém quer saber, até aquilo que eu não quero saber. Pergunto o nome pra conhecer.

Minhas perguntas são boas, são bobas. Perguntas sem sentido, sem ideia, sem noção, sem por quê, sem relevância. Ora são complexas, prolíxas, filosóficas, importantes e chatas.

Questionamentos como todo mundo tem, como todo mundo sente. Todo mundo é perguntador, só pergunta de coisas diferentes. E é justamente a diferença que faz com que as pessoas julguem a importância, a indiferença.
...
Aquilo que me é relevante é aquilo que me interessa, que me move, que sem por quê e nem pra que, me motiva.
Relevância pra mim nem sempre faz ou tem sentido. Nem sempre é sentida ou notada. Relevância pra mim é até aquilo que não a tem.

Remo

Uma vez assisti um vídeo com um homem que discursava sobre as diferenças entre o cérebro feminino e o cérebro masculino, e uma das observações foi que a mente feminia está em constante pensamento. Ela mão para um minuto sequer, as percepções, achismos e sentimentos são diferentes, mas tornam-se uma coisa só no cérebro da mulher. E não que eu já não soubesse, mas nesta madrugada vivi isso mais uma vez.

Acordei um pouco antes da cinco espirrando e querendo fechar a janela, mas com um preguiça danada de fazê-lo. O nariz começou a escorrer, a garganta ficou seca; fiquei com sede. Então, levantei pra beber água, fui ao banheiro, trouxe um pedaço de papel comigo, porque sabia que a crise de rinite não havia passado só por causa desse período de vigília.

Mas achei que pegaria no sono de novo rapidamente e que, após algumas espirradas, eu me sentiria quentinha na cama outra vez, aconhegada e adormecida. Não foi isso o que aconteceu.

Os pensamentos estavam lá desde o segundo que me percebi despertada. Os mesmos pensamentos - ou a continuidade deles - que tive no caminho de casa de ontem ainda estão aqui.

Pensei no que falei, no que me foi dito. Refiz minhas interpretações, meus pareceres e repensei tudo. Tive um diálogo, mas sozinha. Expus minha opinião, minha chateação e percepção, mas sem tirá-las da cabeça. Tudo aqui dentro do meu quarto, tudo aqui dentro de mim.

E - também, não que já não tivesse notado, mas - percebi duas coisas muito interessantes. Primeiro que só o ato de pensar me dá o desabafo. Não precisei falar, não chorei, não gargalhei, só refleti. Segundo que aquilo que faz eu limitar e ordenar meus pensamentos, é escrever.

Conclusão: ainda estou pensando naquilo, mas de maneira mais contida, estou com fome, já faz mais de uma hora que estou acordada e ele, o objeto do meu pensamento, está numa aula de remo. E o melhor? Muito provavelmente não está pensando em nada, com exceção talvez de quantas remadas tem que dar, quantas séries de exercício tem que fazer, quando será a próxima aula na raia.

Mudanças


Mudei de apartamento, de condomínio, de bairro, de cidade, de endereço. Meu CEP é outro, minha vaga para o carro é outra e o mercadinho e a padaria são outros.

Eu abro a janela da sala e vejo uma paisagem diferente e isso acontece quando abro também a janela do meu quarto e a da lavanderia.

Ainda não tenho guarda-roupa, tudo está em caixas e, por isso, só a minha cama fica devidamente arrumada.

Até o tempero da comida mudou, porque agora ela é feita por mim. A vassoura, o rodo, o pano de chão, o ferro de passar, a máquina de lavar roupa e o varal são utensílios que agora se aventuram nas minhas mãos.

Os chinelos que deixei no canto do quarto e que, desajeitadamente, ficaram um em cima do outro continuam assim. A roupa para passar que empilhei perto da minha cama ainda está lá. O pedaço de papel na minha cadeira permanece no mesmo lugar.

Este novo lugar, esta nova morada, que me recebe há menos de duas semanas, já me viu sorrir, já me viu chorar, já me viu sem roupa e com uma dúvida danada do que vestir. Nesta nova casa já pensei demais, já me arrependi e não fiz nada com isso, mas também já voltei atrás.

É aqui que moro, que fico, que durmo, que guardo os meus pertences. Mas é o número da casa onde moram minha mãe e meu irmão que está registrado como "casa" no meu celular.

Lar doce lar.