sexta-feira, 27 de maio de 2011

Sem entrelinhas

Nua. É assim que me sinto em relação aos meus sentimentos, às minhas percepções, aos meus desejos, sofrimentos e sonhos. Não no sentido de não o tê-los, mas porque ficam sempre à mostra.
Não tenho medo do que vem à tona, não há entrelinhas em mim e praticamente tudo fica exposto: os pensamentos, as expectativas, as projeções. E os traduzo sem rodeios: num diálogo, num beijo, num abraço, num olhar, num sorriso. Me decifrar, portanto, é fácil, difícil é me encarar. Nem todo mundo me banca.
Transmito-me às pessoas, me relacionando profundamente com elas. Amo, desejo, lembro, esqueço, odeio, me envergonho, sinto saudades, procuro, falo, escuto.
Meus sentimentos são, por mim, sempre muito bem organizados, eles têm nome e lugar. Não há em mim dificuldade alguma de reconhecê-los, de exprimi-los. Sou uma mulher que sabe o que sente. Sou nua e crua, assim como a verdade.
Eu me abro, me mostro, me ponho à prova, me desnudo, grito o que tenho. Eu deixo tudo em evidência, sem dúvida, consistente e constantemente.
Sou intensa, não sou misteriosa. Não me preservo nunca e talvez isso me leve ao prejuízo na maioria das vezes. É porque as pessoas, também na maioria das vezes, não sabem lidar com quem se despe, perde a vergonha, mostra a cara e a dá à tapa.
Sou assim. E estou assim. Sou pronta para a repreensão, mas ela não me reprime. Apanho, mas não caio e, por isso, não preciso me levantar. Fico em pé, com o rosto marcado levantado. Permaneço em pé; a queda já não acontece mais.

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