Tem dia que não é TPM, não é problema no trabalho, não é saudade, não é doença, é o bode.
O bode traz a vontade de ficar na cama com meia de lã e moleton velho. Ele faz você ficar com preguiça de ir ao banheiro, de escovar os dentes e até de comer. E, por isso, faz você cozinhar um miojo pro jantar, deixando a panela suja na pia.
O danado faz você ficar em silêncio, não sorrir, não achar graça, só desgraça. Ele te lembra das músicas mais tristes, mais deprês e mais anos 90 possível! Você canta "Eu gosto tanto de você" e "É preciso saber viver".
Quando ele aparece, há desânimo, choro, mau humor e falta de jeito, de trejeito, de querer, de vontade.
O pior é que ele é incoveniente e quando faz uma visita, ele chega cedo, vai tarde, ocupa espaço, não pede licença e entra onde quer sem permissão.
Se não bastasse, o bode te convence que açúcar melhora, então você se entope de chocolate e - como se tivesse alguma relação com isso - você se entope de Doritos ou pipoca.
A fim de tentar se ocupar e ocupar o bode, você liga a TV e acaba assistindo a primeira temporada de Dr. House, Friends ou alguma que já acabou há tempos e era muito ruim, tipo The OC. Caso não goste de seriados, você vê o primeiro filme do Batman, Titanic ou Hannibal.
Você fica pela metade: meio triste, meio esquisito, meio sonolento, meio assim.
Tô de bode, tô com o bode.
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