Era uma manhã que tinha tudo para ser fria e me recordo que sai de casa bem agasalhada. Mas à medida que ia me aproximando da rua, para ir à vaga onde meu carro estava estacionado, o sol começava a me banhar com aqueles raios tímidos de inverno e a me aquecer.
Quando me sentei ao volante, já tirei minha echarpe e abri um pouquinho o vidro. Aquele dia, então, seria mais quente do que eu esperava. Ainda bem!
Aquela terça-feira, começou de fato, com um belo café da manhã na companhia de uma amiga que amo servido em sua casa. Passamos horas conversando sobre tudo e nada, almoçamos e a hora de ir para o trabalho já era chegada.
Agora era o meio do dia e o sol perseverava em aquecer e trazer conforto. Foi dirigindo pela via expressa da cidade, agradecendo pelo sol que fazia, que um novo personagem surgiu: o vento. Aquele do qual gosto tanto: forte e que vem de encontro ao rosto! O mais curioso é que até ele estava quente. Era um soprar delicado, gostoso, aquecido, e quanto mais rápido eu dirigia, mais decididamente ele entrava pelas janelas do carro e mexia com meus cabelos.
Mas a cena que estava sendo composta lá fora era linda: uma dança. As árvores se mexiam compassadamente de uma lado para o outro e, harmoniosamente, quase competiam para ver qual delas balançava mais os galhos, as folhas, os ramos. Do chão, das próprias árvores e quem sabe mais de onde, folhas eram arrastadas e formavam um redemoinho verde e alto. Era exuberante. Determinado, o vento indicava a direção para as folhas e árvores, ao mesmo tempo que cantava para elas. Era um espetáculo delicado e forte, e eu estava nele. Eu estava inserida em toda aquela beleza. O redemoinho corria ao redor do meu carro, uma das folhas se aventurou e caiu no meu colo.
Fui mais surpreendida e agradada do que podia imaginar: Deus compôs pra mim uma linda dança com os personagens que mais gosto: o sol e o vento. E foi uma combinação perfeita.
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