quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Eu não sou especial

Depois de retomar o trabalho e ver as férias acabarem, minhas costas sentiram o peso de carregar meus alunos no colo para matar a saudade, dando-lhes beijos e abraços. Foi voltando do trabalho que minhas costas começaram a latejar e a lombar a arder, fazendo com que eu reclamasse de cada pisada na embreagem para engatar a marcha. Mas foi essa dor que me me fez pensar no quanto eu me acho especial.

Vivo reclamando e murmurando de coisas, pessoas, sentimentos, frustrações, desejos, decepções, datas etc, acreditando realmente que é uma injustiça toda uma lista de situações desagradáveis só acontece comigo, afinal eu sou muito especial.

- pegar conjutivite
- perder um parente ou amigo
- acabar o papel higiênico
- passar a noite no hospital
- perder dinheiro
- levar um fora
- tomar uma multa
- cair na rua
- conhecer um cara que não vale o pão do pão com ovo
- se arrepender de beber demais
- fazer dívidas
- perder o emprego
- bater o carro
- pegar uma virose ou resfriado
- perder o voo
- ser assaltada
- ser traída
- sentir-me usada
- ser enganada
- passar uma sexta-feira à noite sozinha
- sujar a roupa em público
- pegar um trânsito catastrófico
- não ter horário na manicure
- arranharem teu carro
- não ser convidada
- não ser correspondida


Esta lista de coisas que "fazem parte do que sou agora", está gritando: "você não é tão especial".
Mas por que cargas d'água eu achei em algum momento que estas coisas não aconteceriam comigo? Mais! Por que raios eu achei que estas coisas não deveriam acontecer comigo?




Uma decepção e uma constatação atrás da outra, revezando entre si: eu não sou especial. As "coisas que só acontecem comigo" são coletivas e, ouso dizer, universais. O "só acontece comigo, ninguém merece" acontece com você também comprovando que pelo menos eu e você...merecemos!

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

A Dança

Era uma manhã que tinha tudo para ser fria e me recordo que sai de casa bem agasalhada. Mas à medida que ia me aproximando da rua, para ir à vaga onde meu carro estava estacionado, o sol começava a me banhar com aqueles raios tímidos de inverno e a me aquecer.

Quando me sentei ao volante, já tirei minha echarpe e abri um pouquinho o vidro. Aquele dia, então, seria mais quente do que eu esperava. Ainda bem!

Aquela terça-feira, começou de fato, com um belo café da manhã na companhia de uma amiga que amo servido em sua casa. Passamos horas conversando sobre tudo e nada, almoçamos e a hora de ir para o trabalho já era chegada.

Agora era o meio do dia e o sol perseverava em aquecer e trazer conforto. Foi dirigindo pela via expressa da cidade, agradecendo pelo sol que fazia, que um novo personagem surgiu: o vento. Aquele do qual gosto tanto: forte e que vem de encontro ao rosto! O mais curioso é que até ele estava quente. Era um soprar delicado, gostoso, aquecido, e quanto mais rápido eu dirigia, mais decididamente ele entrava pelas janelas do carro e mexia com meus cabelos.

Mas a cena que estava sendo composta lá fora era linda: uma dança. As árvores se mexiam compassadamente de uma lado para o outro e, harmoniosamente, quase competiam para ver qual delas balançava mais os galhos, as folhas, os ramos. Do chão, das próprias árvores e quem sabe mais de onde, folhas eram arrastadas e formavam um redemoinho verde e alto. Era exuberante. Determinado, o vento indicava a direção para as folhas e árvores, ao mesmo tempo que cantava para elas. Era um espetáculo delicado e forte, e eu estava nele. Eu estava inserida em toda aquela beleza. O redemoinho corria ao redor do meu carro, uma das folhas se aventurou e caiu no meu colo.

Fui mais surpreendida e agradada do que podia imaginar: Deus compôs pra mim uma linda dança com os personagens que mais gosto: o sol e o vento. E foi uma combinação perfeita.